Conjuntura econômica: como estão as vendas no varejo em 2017?

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Os últimos anos não têm sido fáceis para o setor varejista, que apresentou quedas consecutivas no volume de vendas devido aos efeitos negativos da crise brasileira. Mas, se a recuperação como um todo caminha de forma mais lenta do que o país gostaria, ao menos as vendas no varejo já dão sinais de recuperação em 2017.

Dados nacionais do varejo

De acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio realizada em junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um aumento de 2,5% no volume do comércio varejista no segundo trimestre do de 2017. A boa notícia é que, pela primeira vez após uma sequência de 9 trimestres de taxas negativas, o percentual foi de expansão.

Além disso, a melhoria foi constatada em quase todos os setores, principalmente “escritório, informática e comunicação”, “artigos de uso pessoal e doméstico” e “móveis e eletrodomésticos”. Quando incluímos outros segmentos, como veículos, motos, partes e peças e materiais de construção, que formam o chamado comércio varejista ampliado, o número é ainda melhor: 2,9% de aumento após 12 trimestres consecutivos de queda.

Embora o cenário seja animador, a perspectiva é menos otimista se considerarmos os dados semestrais ao invés dos trimestrais. Devido ao baixo crescimento dos primeiros meses do ano, houve contração de 0,1% para no volume de vendas do comércio varejista (que, embora negativa, demonstra menor variação em relação aos anos anteriores) e expansão de 0,3% para o ampliado. Em contrapartida, em termos de receita nominal, a primeira metade do ano registrou um crescimento de 1,9% para o comércio varejista e de 1,6% para o varejo ampliado.

Outra pesquisa realizada pela Mastercard, que utiliza um indicador chamado “SpendingPulse”, constatou aumento de cerca de 3% nas vendas do varejo ao comparar julho de 2017 e julho de 2016. Os dados também afirmam que o crescimento ocorreu em todas as regiões do país, fato inexistente pelos últimos 24 meses, com destaque para o sul, sudeste e nordeste. Ainda segundo o levantamento, as compras pela internet subiram quase 20%.

Projeções para 2017

No início do ano, a previsão de crescimento do comércio varejista era de 1,2% de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Porém, devido aos dados divulgados pelo IBGE no meio do ano, os quais superaram as expectativas, houve uma alteração da projeção inicial para 1,6%.

Analistas concordam que 2016 foi um ano muito difícil para o varejo e 2017 é considerado um período de transição, pois há indícios de um processo de recuperação, porém ainda sutil e em alguns setores até mesmo abaixo do esperado. Por isso, economistas acreditam que 2018 será o ano da retomada, quando o cenário deve tornar-se favorável de uma maneira geral e também para o varejo nacional.

A recuperação do setor ainda depende da redução das taxas de juros e do desemprego, que em abril desse ano atingiu a taxa mais alta desde que o IBGE começou a produzir a série histórica. No final do 1º trimestre, quase 14% da população ativa estava sem emprego (mais de 14 milhões de brasileiros), e no final do 2º trimestre 13%.