[ENTREVISTA] Como se inspirar em empresas que são referência em cultura e inovação?

Uma das entrevistas do Assertiva Day foi com um dos sócios da Assertiva, o Hederson Albertini. Ele contou pra gente como foram os três meses que passou no Vale do Silicio em uma imersão de cultura e conhecimento, e compartilhou algumas dicas que aprendeu por lá! 

Ficou curioso para saber mais sobre essa experiência? Confira a entrevista da maneira como preferir, em vídeo ou texto! 😉

Guilherme Alonço:  Olá, pessoal! Tudo bem? Nós estamos aqui hoje no Assertiva Day e eu estou recebendo aqui o Hederson. O Hederson é sócio da empresa, então, assim, já vou dizer que eu estou um pouco nervoso porque o patrão está aqui comigo.

Hederson Albertini: Justo eu aqui! Justo eu. 

Guilherme Alonço: Qual é o título da nossa conversa? O Hederson recentemente passou três meses no Vale do Silício. Muito legal, queria que você contasse um pouco dessa experiência. É claro que a gente já combinou com ele que vão ter vários vídeos, porque em três meses eu tenho certeza que você aprendeu muita coisa lá dentro. Eu queria que você compartilhasse algum tipo de lição que você aprendeu lá no Vale do Silício, alguma coisa legal que você viu que às vezes falta aqui no Brasil, que dá pra colocar nas empresas brasileiras.

Hederson Albertini: Bom, não vou conseguir falar na ordem do que eu achei mais bacana, mais interessante ou não. Então vamos aos poucos soltando isso. O que eu trago hoje que me chamou muita atenção foi quando eu comecei a visitar startups e empresas que já até passaram pela fase de tração, maiores e tudo mais. Algo que a gente fala muito, que é rico, é diversidade, que são diferentes culturas dentro da empresa, que esse atrito é bom, sempre sai coisa boa e tudo mais. 

Aqui no Brasil, de um modo geral, quando você pergunta dentro de uma empresa… Vou usar um caso específico, quantos brasileiros são ali daquela empresa? Você tem praticamente 100% das pessoas brasileiras.

Me chamou bastante atenção, e eu acho que isso é rico, que lá você via o mix de culturas de diferentes países. No Brasil nós temos muitas vezes pessoas de diferentes idades, gêneros, cidades, estados e tudo mais, mas a questão da diversidade de cultura no ponto de vista de várias pessoas de países diferentes, eu acredito que isso deve ser muito rico pra empresa porque você traz diferentes conceitos, diferentes padrões, pontos de vistas para ser discutido em cima de um problema, de um desafio.

Guilherme Alonço: Legal! Eu acho que isso aqui eu estava até conversando antes com você. Isso aí vem a calhar, porque a gente está num evento hoje que é feito para compartilhar conhecimento e eu acredito que esse ambiente de diferentes pessoas, diferentes lugares e tudo mais, essa diversidade, eu acredito que é um ambiente propício para compartilhar conhecimento também. 

Hederson Albertini: Sem dúvida, essa questão de compartilhar conhecimento, e eu acho que cada vez mais estamos evoluindo. Então, por exemplo, no caso da Assertiva, nós montamos o Castelo Creative Space que é um espaço voltado para esse objetivo. 

Ali é um local aberto para a comunidades, inclusive onde acontecem vários meetups com o objetivo de trazer pessoas de fora, trazer pessoas de outros segmentos, sempre compartilhando conhecimento, compartilhando informação.

Então esse tipo de coisa que cada vez mais está ganhando espaço aqui, lá já acontece há muito mais tempo. Lógico que não é uma questão de compartilhar conhecimento e informação que você consegue tomar café com qualquer um, não é isso. Inclusive eu percebi muito essa cultura quando você vai conversar com as pessoas aqui, normalmente, a gente espera que a pessoa que a gente chamou para conversar comece a falar um monte de coisa. Lá todo muito é até que disponível, mas é bem diferente porque o cara pergunta o que você quer saber. Então você saber fazer as perguntas certas também é muito importante.

Guilherme Alonço: Você tem algum exemplo de uma empresa que viu lá fora e achou isso bem curioso, essa lição aprendida lá fora?

Hederson Albertini: Eu tive a oportunidade de conversar com empresas menores, com empresas maiores, fundos de investimentos, algumas associações que fomentam esse mercado e tudo mais. Acho que o que me chamou atenção é a cultura da Netflix. 

É difícil se comparar com uma Netflix, mas me chamou bastante atenção a questão de como eles conduzem a cultura da empresa e como eles tratam os funcionários. Onde não tem hierarquia, é bem horizontal, chega o ponto de cada colaborador definir as férias dele, ele mesmo definir se ele vai trabalhar na empresa naquela semana ou não. Eles usam muito o OKR como gestão, e ali é uma empresa que já está grande, já passou da fase pequenininha, tem essa diversidade que eu estou falando, pessoas de diferentes países, então muitas culturas ali dentro. Me chamou a atenção o quanto eles conseguem, apesar da diversidade de cultura, conduzir uma empresa onde a gestão é totalmente horizontal, acho que isso exige muita maturidade do time porque tem que ser um time sênior, um time acima da média, porque muitas vezes a equipe não tem maturidade pra isso. Então ali eu achei um equilíbrio muito bacana.

Guilherme Alonço: E têm alguma lição que você gostaria de passar, além de claro, essa lição que você passou da diversidade? Como você poderia falar pros empresários no Brasil, como você pode aplicar isso no nosso ambiente hoje aqui no Brasil? Se você fosse falar “faz isso” ou “adota tal medida” ou alguma coisa do tipo.

Hederson Albertini: Eu não acredito numa receita de bolo pronta, eu acho que tem uma questão de cultura da própria equipe, da equipe executiva, dos líderes. Acho que é um processo de transformação, não é algo que você vai fazer do dia pra noite. Mas eu compartilho a nossa experiência quando a gente começou, sair de uma empresa tradicional e começar numa pegada mais moderna, mais pra frente. 

O Assertiva Day é fruto disso, a questão de incentivar a equipe a buscar informação fora, a buscar conhecimento fora, participar de eventos e promover isso, como nós estamos fazendo aqui. O próprio espaço, como eu comentei sobre o Castelo Creative Space, tem esse objetivo, onde a gente passa a ter profissionais de outras empresas, de outras áreas levando lá a questão de meetups, fazendo bootcamps, hackathons.

Então não tem uma coisa ou outra, não tem uma receita pronta, eu estou compartilhando um pouco do que nós fizemos. Eu acho que aos poucos isso daí vai transformando a empresa. A questão de mudar o mindset da equipe atual, a questão de começar a trazer talentos que estão buscando isso, que estão buscando nesse sentido, encontrar propósito, eu acho super válido.

Guilherme Alonço: Legal! Você acha que essa é uma questão mais de abrir a empresa, abrir para novas opiniões, abrir para novas oportunidades e não criar aquele preconceito sobre determinado profissional, determinada pessoa. 

Hederson Albertini: Quando falam assim “tudo isso é intangível”, igual o Espaço Castelo, se traz resultado ou não traz, é o que você comentou quando você coloca aí como um caso para ser discutido por várias pessoas. Pra nós fez total sentido do espaço. Quando me pediram, um funcionário veio falar comigo e como não estava inaugurado, não tinha um recepcionista, e eu lembro que eu comecei a burocratizar demais esse processo e ele só queria fazer um meetup, juntar um monte de gente aqui. E eu só pensava “quem vai vir fora do horário para discutir um problema nosso sem ganhar nada?” e eu comecei a burocratizar tanto que ele falou “relaxa, a gente faz na padaria e quando inaugurar a gente volta”. E eu fiquei olhando aquilo e pensei que eu precisava navegar e entender um pouco mais esse mundo, daí eu virei pra ele, entreguei a chave e falei “toma a chave do espaço, fique a vontade, toca lá”. 

E aí a gente abriu e foi muito interessante porque isso foi numa quarta-feira, às 19h30 da noite e acho que o tema era react. E ele falou “quero juntar os profissionais como nós aqui pra discutir esse desafio”. Eu falei ok e liberei e aquele dia foi uma grata surpresa porque sem ter inaugurado ainda o espaço, ele com o time Assertiva, quando eu cheguei lá pra ver como estava o movimento, eu vi o nosso time impressionando as pessoas. Eu vi o engajamento deles, achei muito bacana, todos envolvidos, eles incentivaram. 

E aí teve lá 30 ou 35 pessoas mais ou menos, profissionais iguais aos dois que nós temos, discutindo sobre um desafio, o quanto vale isso?

Então assim, isso não tem um valor financeiro, não tem um retorno direto, mas é isso que você me perguntou “o que você deixaria de dica?”, então repara, não é só isso também mas olha o valor de ter 30 profissionais discutindo junto com o seu? E me chama a atenção que na outra semana um empreendedor me ligou  e falou que “Hederson, prazer e tal, tive um funcionário meu semana passada aí no seu espaço.” Daí eu pensei “nossa, só falta alguém ter. Poxa, alguém abordou, não é esse objetivo”. Mas grata a surpresa, ele falou “o funcionário falou muito bem, parabéns. Eu não tenho isso, mas eu posso fazer um evento parecido com esse aí e chamar convidados?” 

Eu falei “está aberto” e eu vi que valia a pena esse esforço, esse investimento porque a gente vê a comunidade trabalhando também em conjunto, é um mundo à parte, é um mundo que a economia antiga e tradicional, às vezes não consegue entender. Um grupo de pessoas, de profissionais acima da média discutindo ali. Então a questão de compartilhamento, dessa reciprocidade tem um valor tremendo. E eu vejo que pras empresas que conseguirem navegar dessa forma, avançar nessas comunidades, ela consegue ter um retorno. Tem que entregar algo, e daí você começa a ter um retorno, eu acho super válido isso.

Guilherme Alonço: Muito legal, acho que isso foi nosso bate-papo de hoje. O recado está dado, a lição é abram a sua empresa, não fiquem com medo, compartilhem conhecimento, também peguem conhecimento de outro lugar porque isso é super legal pro conhecimento dos seus colaboradores, pro crescimento do seu time, pra maturidade do time e para que a gente realmente possa ter empresas mais fortes contribuindo até para economia do nosso país.

Hederson Albertini: Sim! Eu acho que a gente tem várias iniciativas na questão de empreendedorismo que facilita e ajuda. Confesso que quando nós começamos, eu não tinha ideia de startup, não tinha ideia de MVP, não tinha ideia de investidor, mas conseguimos com cara e coragem. Hoje a informação está mais compartilhada, mais acessível, isso está mais claro. Acho que o processo está mais definido e eu acho que isso facilita muito. 

E uma outra coisa que eu acho super válido, eu consigo enxergar isso quando a gente fala da área de tecnologia, na questão da comunidade, a questão que eu comentei de meetups, eu acho que isso tem um valor tremendo e você vê que isso está na frente, muitas vezes, da Universidade, está na frente da faculdade, eles não estão conseguindo acompanhar isso. Porque é uma troca de experiência muito forte, a tecnologia em si ela muda muito rápido, então eles precisam estar se reciclando, mas isso tem que ser aplicado para outros departamentos e não só para tecnologia. 

Olha o quanto é rico quando 5, 10 empreendedores, nós estamos falando aqui de iniciar, se juntam para trocar ideias. Então pra quem está querendo começar, porque não procurar outros 5, outros 10 que estão começando? E assim como essa comunidade de tecnologia,  também não fazem os encontros? O buraco que um está caindo, não deixa o outro cair. Trocar experiência, trocar essa jornada. Eu acho que isso tem que ser explorado e outras frentes também! 

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