[ENTREVISTA] Como unir propósito, carreira e negócios?

Além de uma palestra muito legal sobre propósito no Assertiva Day 2019, a Nara Zarino, que era coordenadora de Comunicação Institucional do iFood e hoje faz parte do time de People Design na Loggi, também deu uma entrevista pra gente. 

Aqui, ela falou sobre maneiras de unir propósito, carreira e negócios, e da importância de alinhar missão, visão e valores para atrair colaboradores que concordem com isso. 

Quer saber mais? Confira este bate-papo da maneira que preferir, em vídeo ou texto! 😉 

Guilherme Alonço: Olá, pessoal, tudo bem? Nós estamos aqui hoje no Assertiva Day, o evento que a gente está organizando aqui da Assertiva. A gente ta conversando sobre startup, inovação, cultura, comunicação e tudo o que você pode imaginar. E a Nara está aqui, coordenadora do iFood de comunicação, sensacional a palestra dela hoje.

Obrigada, Nara pela presença no Assertiva Day e por contribuir com esse nosso evento. 

A palestra dela foi “Afinal, o que é o propósito que todo mundo fala por aí?”. Parece uma palavra bonita mas, enfim, como eu posso pegar essa palavra e colocar dentro de um grande cesto junto com a minha carreira profissional, junto com a organização ou empresa? Como que eu combino tudo isso: propósito, carreira profissional e negócios?

Nara Zarino: Cada vez mais as pessoas buscam trabalhar numa empresa que elas se identifiquem. Parece uma coisa muito óbvia, mas até pouco tempo atrás as pessoas tinham uma meta pessoal – e até meio que familiar – de “eu vou entrar numa empresa, eu vou fazer carreira e eu vou ficar nela até o fim da minha vida porque esse é meu destino”.  Não existe mais isso e que bom porque as pessoas se permitem questionar. O que que faz sentido pra mim, às vezes pra você pode ser diferente. Às vezes o que é prioridade pra mim, é diferente pra você. 

As empresas são assim também, cada uma é de um jeito. Então eu acho que o mais legal é que a empresa seja transparente, que ela conte de verdade quem ela é para atrair as pessoas certas. 

Guilherme Alonço: Toda empresa que a gente passa, a gente costuma ver um quadro bem grande escrito missão, visão. Isso tem que ser um negócio de vestir a camisa, não tem que ser só um quadro na parede, né?

Nara Zarino: Exato, se não fica só discurso, né? Aí não faz muito sentido e também, até pouco tempo atrás, todas as empresas, se você entrasse no site, todo mundo tinha praticamente a mesma missão, a mesma visão e os mesmos valores e você falava “ah, não é possível, né? Uma empresa não tem nada a ver com a outra, por que que elas tão falando as mesmas coisas?” Era quase como se as empresas contassem uma história que os candidatos já meio que esperavam e queriam ouvir. E isso também, que bom, já não é mais assim.

No próprio iFood, a gente tem o nosso propósito de fato numa parede enorme e linda, no térreo da nossa sede. A ideia é que de fato seja o que vai nortear o que todo mundo na empresa faz, não importa a área que a pessoa está, todo mundo sabe pra onde a gente está indo.

Guilherme Alonço: E aí, pensando numa coisa mais prática. Quais dicas vocês dá pros profissionais ou pros gestores?

Vamos separar em dois momentos: pros profissionais relacionarem qual a imagem deles no mercado. E quando a gente fala das organizações, a gente pensa mais na questão da marca, quando ela quer escolher um propósito, como ela pode fazer isso? Como ela pode escolher um propósito, associar a imagem profissional da pessoa ou a marca da empresa?

Nara Zarino: Eu acho que o grande desafio é olhar para dentro, olhar para quem a empresa é, o DNA da empresa. Quais são os valores que essa empresa sempre exerceu e que ela não pode mudar. Porque algumas coisas mudam mas a essência não muda.

Então eu acho que isso deve ser construído junto com quem trabalha nessa empresa. Vamos olhar juntos para quem nós somos e pra onde a gente está querendo ir. Acho que esse é o grande segredo, o que não é tão segredo assim, que é olhar pra cultura e aí, juntos, a gente consegue entender qual é o propósito da empresa.

Com um propósito muito claro, fica muito mais fácil da empresa e dos próprios colaboradores mostrarem pro mundo quem eles são e dessa forma atrair quem se identifica e não atrair quem não faz sentido, o que é bom. Tem empresa que fala “eu quero atrair todo mundo” e isso está errado, você tem que atrair quem faz sentido pra você e está tudo bem você não atrair todo mundo

Guilherme Alonço: Agora uma pergunta, uma curiosidade: quantos colaboradores o iFood tem hoje?

Nara Zarino: A gente tem hoje nos 3 países – Brasil, México e Colômbia – 1.800 foodlovers, como a gente chama.

Guilherme Alonço: Entao desses 1800 foodlovers, eu imagino que a empresa tem um propósito bem claro. Como eu faço pra envolver todo mundo nesse propósito? Como envolver meu time no propósito?

Nara Zarino: Hoje nosso propósito é revolucionar o universo da alimentação por uma vida mais prática e prazerosa. Eu acho que é um trabalho muito importante de engajamento, ou seja, todos os dias, seja pelo workplace – que é o facebook corporativo -, seja pelos eventos presenciais, ou com COO, ou com os diretores, ou trazendo pessoas de fora, pessoas do mercado para falar sobre valores ou questões que a gente também acredita. 

Eu acho que é um trabalho contínuo, não é uma vez só, você chegou “seja bem-vindo, é isso que a gente acredita”. Então a mensagem tem que ser consistente, mas ela tem que ser frequente. Então todos os dias a gente reforça quais são as nossas prioridades, para onde a gente está indo e como a gente faz. A gente fala que é como a gente acredita, o jeito iFood de fazer as coisas da maneira correta, é ter uma campanha de compliance. Por quê? Porque todo mundo tem que estar na mesma página, não importa a área, não importa se você está em Manaus, se você está em Campinas, porque você tem pessoas no país inteiro, mas todo mundo sabe pra onde a gente está indo.

Guilherme Alonço: Ou seja, time de marketing, time de TI, de contato, de relacionamento com o cliente, todo mundo tem que ta pensando na mesma página. 

Nara Zarino: Todo mundo tem que saber pra onde a gente está remando e remar junto.

Guilherme Alonço: Agora mudando um pouquinho de assunto mas ligado com propósito também. Falando um pouco sobre marca empregadora, quais são os conselhos que você dá pros empresários que querem  usar a questão da marca para reter as pessoas e para atrair novas pessoas também. Como vocês desenvolvem e trabalham dentro do iFood? Porque um talento ajuda muito na questão do crescimento da empresa, uma pessoa talentosa pode contribuir muito com o desenvolvimento do propósito da organização.

Nara Zarino: Com certeza! A gente até falava que a gente não buscava pessoas que tivesse fit cultural, porque quando você fala em fit cultural, você fala em colocar uma pessoa dentro de um padrão e aí todo mundo vem parecido, como se fosse uma forma. A gente fala muito em pessoas que adicionem na nossa cultura então acho que essa é uma preocupação que a gente tem. 

Pensando em marca empregadora, a gente trabalha reputação. Então o que é a empresa? 

quais são as áreas de negócio? O que a gente acredita? Como que é o dia a dia? Qual o perfil de quem trabalha lá? Então a gente tem o “I am a lover”. O “I am lover” fala sobre resultado, a questão de ser simples, como a gente consegue ter ferramentas para

no nosso dia a dia para reforçar isso internamente e pra gente expor isso pro mundo, seja pelas pessoas dando palestras, seja num meetup que a gente está sedeando dentro da empresa, seja no dia a dia nas próprias redes sociais dos foodlovers. 

Então tudo isso é o que? É a verdade da empresa! Não adianta a empresa criar uma verdade, um discurso que não é real porque isso vai se desfazer, vão olhar e falar “nossa que fake, né? Não tem nada a ver com essa empresa”. Então eu acho que o grande ponto das empresas que querem trabalhar marca empregadora é que elas precisam olhar pra verdade delas e como eles vão trabalhar isso nos canais que eles precisam ou nas situações que eles precisam estar mas contando a verdade delas.

Guilherme Alonço: Aproveitando. Acho que todo mundo usa o termo employer branding e eu acho que tem muito a ver com o que a gente está conversando agora e o que isso impacta a organização. Não só do ponto de vista do colaborador, mas ligando diretamente pro cliente da empresa, aquela pessoa que utiliza o serviço, que utiliza o produto, que busca uma solução. Como que isso impacta de dentro pra fora?

Nara Zarino: Eu acho que pra dentro está muito claro o que a gente vem trabalhando e vem falando aqui. Mas pra fora eu acho que é a admiração do consumidor final pelo que a empresa faz. Quando a gente conta, por exemplo, que o iFood está desenvolvendo todo o ecossistema de food delivery olhando pra todos os cliente, porque não é só o consumidor final, mas são os 66 mil restaurantes, são os mais de 12 milhões de usuários, são os mais de 120 mil entregadores que fazem entregas todos os dias. Poxa, a gente está desenvolvendo todo um ecossistema e quando você conta isso pra sociedade como que você impacta esse ecossistema como um todo? Como você desenvolve? Como que você está preocupado com o bem estar? Então gerar uma experiência melhor para todos esses públicos, você vai gerar de fato uma identificação com quem vê valor nisso. Então eu acho que é meio que por aí. 

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