Você sabe quais são os principais riscos da concessão de créditos?

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Os riscos da concessão de créditos estão presentes no dia a dia de praticamente todas as empresas. Não importa o segmento de atuação: os clientes, sejam pessoas físicas ou jurídicas, compartilham desafios financeiros parecidos, o que exige uma política de créditos bem definida e uma análise eficiente das informações.

Se sua empresa visa reduzir o índice de inadimplência ou está se preparando para começar a fornecer empréstimos e compras a prazo aos consumidores, este artigo é para você. Descubra, a seguir, o que é risco de crédito, por que ele deve ser liberado com cautela e os principais riscos envolvidos na operação.

O que é risco de crédito?

O risco de crédito é a probabilidade que um cliente tem de não pagar pelos valores contratados. Essa estimativa pode ser individual ou coletiva, abrangendo toda a carteira de clientes da empresa, e é definida por uma taxa.

Uma pessoa pode ter uma taxa de risco de crédito na casa dos 20%, por exemplo, enquanto a média de risco assumido pela companhia está em 18%. Se o crédito for liberado para ela, o negócio elevará sua taxa média de risco, o que pode não ser bom. Mas isso depende de diversos fatores.

Por que é importante ter cuidado ao fornecer crédito para clientes?

Liberar crédito aos consumidores da loja é uma decisão que deve ser bem planejada. Isso envolve a adoção de estratégias para a coleta, o armazenamento e a análise profunda dos dados. Em muitos casos, os gestores consideram apenas a amizade e o tempo de relacionamento do cliente com a empresa, mas isso não é o suficiente.

Fontes de renda e dívidas em aberto, por outro lado, são informações que podem dizer muito sobre os riscos do crédito. Se a companhia se preocupa em realizar uma análise de crédito baseada em dados, além de ter uma política de liberação clara e objetiva, passa a assumir menos riscos, melhorando sua capacidade de gerar receitas com os pagamentos em dia.

Quais são os principais riscos da concessão de créditos?

Para você ter uma visão mais completa sobre o problema, listamos as principais consequências geradas por uma concessão de crédito ruim. Confira.

Cliente financeiramente desorganizado

Ter uma profissão de respeito, trabalhar em uma multinacional e receber uma boa fonte de renda nem sempre significam que o cliente é bom pagador. Ele pode gastar tanto quanto ganha e não ter equilíbrio financeiro.

Isso pode levar a pessoa a pagar sempre valores inferiores das parcelas, pular alguns meses e viver renegociando pagamentos, acumulando cada vez mais dívidas em seu nome. Portanto, além de registrar informações sobre profissão e renda, descubra as dívidas que ela tem em aberto no mercado e na própria empresa.

Você não deve necessariamente negar o crédito, mas, por segurança, pode limitar o valor das compras. Também é possível oferecer um prazo menor e cobrar uma taxa de juros proporcional ao risco assumido.

Aumento da inadimplência

É preciso ter ciência de que, ao conceder crédito, mesmo que o consumidor tenha um histórico e um score favoráveis, não necessariamente isso se manterá ao longo do tempo. As pessoas podem ser surpreendidas com imprevistos que as façam perder o controle sobre as finanças.

Se isso acontece com um ou outro cliente, não afeta tanto a empresa. Mas, quando se trata de um efeito generalizado, como uma crise econômica no país, pode ser fatal. Tudo isso deve ser considerado na análise de crédito.

O crédito precisa ser liberado em equilíbrio com o cenário econômico nacional, a situação financeira da empresa e as condições que o consumidor tem de honrar com os pagamentos.

Custos com processos

Outro problema comum, mas pouco mencionado, é o aumento dos gastos com os processos burocráticos. Para se liberar um crédito consciente, é preciso adotar medidas estratégicas, o que envolve:

  • tempo;
  • mão de obra;
  • consumo de recursos (energia, internet e equipamentos);
  • uso de ferramentas apropriadas, geralmente pagas, para fazer uma análise segura.

Quando o cliente não honra com os pagamentos, todos esses custos operacionais se somam à inadimplência, ao passo que a operação não dá um retorno suficiente para cobri-los (sem contar com os gastos com cobranças). Nesse caso, o ideal é adotar ferramentas que otimizem ao máximo a análise, reunindo todos os processos no mesmo lugar.

Falsas garantias

Em muitos casos, os clientes oferecem bens já alienados a outras dívidas e a empresa nem sabe disso. Na hora em que a organização precisa recorrer judicialmente a uma penhora é que o golpe é descoberto, dificultando o resgate do valor devido.

Seu negócio realiza empréstimos e financiamentos baseados em garantias? Então, é possível reduzir esse risco analisando se os bens oferecidos pelos clientes são reais e estão livres de outras pendências financeiras.

Comprovante de renda adulterado

O cliente pode falsificar a comprovação de renda, adulterando holerites (contracheques) e informando uma quantia que não seja real, só para conseguir um limite de crédito alto. Muitos podem nem ter uma renda de verdade e alegar dificuldades para a comprovação. Devido a esses riscos, não dá para confiar a liberação do crédito a qualquer um.

O ideal é que você confirme se a pessoa realmente trabalha na companhia emissora do comprovante. Aproveite para comprovar também os valores mencionados nos documentos, pois essa é uma boa forma de reduzir os riscos de um calote.

Estouro de uma crise econômica

Digamos que a empresa tem um índice de inadimplência controlado e deseja investir na fidelização de clientes. Para tanto, ela libera mais crédito ao mercado, mas, de repente, estoura uma crise econômica no país.

Muitos indivíduos perdem seus empregos, têm suas rendas reduzidas e não conseguem pagar as dívidas. Se a empresa tiver um nível elevado de clientes com pagamentos em aberto, corre o risco de não receber mais deles. Mesmo que esses pagamentos sejam quitados aos poucos, as finanças ficam comprometidas, pois a empresa tem um planejamento orçamentário a seguir.

Essa situação, apesar de incomum, é um risco a ser considerado. Sendo assim, os gestores devem sempre avaliar os índices financeiros e acompanhar a divulgação de relatórios do governo ou empresariais (além de notícias relacionadas à economia), para que mantenham os riscos em equilíbrio com as oportunidades.

Com o tempo, é possível prever movimentos de mercado, o que facilita a implementação de estratégias antecipatórias, visando ao recebimento mais rápido do que já foi liberado.

Os riscos da concessão de créditos sempre vão existir — sendo, inclusive, necessários quando o negócio tem planos mais ambiciosos. O que dá para fazer é adotar uma estratégia para reduzi-los e aumentar o potencial de retorno da operação.

E você, o que faz para reduzir o risco de inadimplência na empresa? Conte sua experiência nos comentários!

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